Actualizing Excellence

Escrito por Michael Hall, Ph. D. – Tradução: Raquel Couto

Se uma pessoa te diz que ela tem autoestima elevada, a melhor resposta é dizer: “Eu sinto muito em ouvir isso. Estou disponível se você quiser Coaching para esse assunto. Com o Meta-coaching você pode certamente ser libertada disso e liberada para um estilo de vida muito mais saudável. “É claro, então haverá um duplo olhar. “O quê?” “Eu não entendi.” “O que você está dizendo?” “Há problema com autoestima elevada?” “Eu pensei que você ficaria feliz em saber que eu tenho autoestima elevada.”

Ao induzir um estado de confusão, como que desorientar a pessoa o suficiente para iniciar este tipo de questionamento e, esperançosamente, colocá-la em posição de considerar uma alternativa melhor. Mas não salve a pessoa de sua confusão muito rapidamente. O PR em “autoestima elevada” é tão dominante em nossas culturas ao redor do mundo que é bom para manter e até mesmo aprofundar a desorientação a fim de conseguir uma audiência mais abrangente para o que você tem a dizer.

E o que você tem a dizer como Metacoach? Ou seja, que os modificadores de “baixo” e “alto” ambas pressupõem uma continuidade e que a autoestima é condicional. E esse enquadramento é o problema. Conceituando autoestima como um fenômeno condicional que pode ser baixo (ah, esse é o problema) ou alto (ah, essa é a cura) é condicioná-la a alguma coisa. Mas o quê? Ao que devemos postular que a autoestima está condicionada e em relação a que? Aqui está uma lista de condições comuns:

  • Inteligência: ser inteligente, ter graduações, ter certificados.
  • Força: ser rápido, forte, atlético, etc.
  • Patrimônio: ter a última moda, ter um carro de luxo, uma casa grande, etc.
  • Beleza: ser reconhecido como bonito, atraente, etc de acordo com a moda atual.
  • Dinheiro: ter um grande rendimento, com muitos investimentos, tendo uma alta linha de crédito, etc.
  • Influência: estar em grupos desejáveis, clubes, organizações, ser “amigo” de pessoas populares, etc.
  • Família e amigos: ter uma família feliz, com muitos amigos e associados.

Nestas e em outras maneiras que as pessoas buscam estima, dar valor para si mesmo. Elas se conceituam como “alguém”, “importante” e “interessante e valioso”, na medida que preenchem essas condições.

Esta é a autoestima condicional. O que é obviamente indesejável é a baixa autoestima. Ninguém quer isso. O que não é tão óbvio é que a alta autoestima é também problemática. A razão é que, se for elevada, pode ser reduzida. E, se as condições que são a base para a autoestima ser alta são tiradas, haverá uma queda e, se as condições são completamente demolidas, assim será a autoestima. Isso o torna suscetível a ataques e perdas. E isso não é uma coisa boa. Quem iria querer isso?

O poder da autoestima incondicional é que desde que não há condições para tê-la, não há condições para desfazê-la. Se é incondicional, então é uma dádiva – um fato de nossa existência e de ser que vem com a nascer, com estar vivo, com o ser humano. Isso significa que você e todos os outros que nasce humano, já é alguém. Você já é valioso, que vale a pena, e tem toda a estima e dignidade que você nunca vai precisar e que nunca pode ser tirado de você. Você nunca pode perdê-la.

Sim, você pode tentar negá-la, reprimi-la e lutar contra ela. Mas a verdade é que você não pode ficar sem estima pessoal. Você simplesmente pode não ter consciência disso.

Você pode estar sob a ilusão de que você não tem. Você pode achar que você precisar de dinheiro, status, amigos, beleza, força, etc, a fim de tê-la. Mas isso é apenas uma crença limitante e tóxica.

Agora que você sabe o problema com a autoestima elevada – que é condicional e, portanto, sujeita aos altos e baixos da experiência humana – você está pronto para autoestima incondicional? Você está pronto para uma estima de si mesmo e suas necessidades humanas que não podem ser avaliadas como alta ou baixa, mas simplesmente são? Você está pronto para parar de colocar a sua “autoestima” na linha e dar aos outros o poder de ameaçá-lo ou rebaixá-lo?

Se sim, imagine a diferença que isso fará quando você for para o mundo. Se a sua autoestima é incondicional, então você tem e você não pode perdê-la. Falar de crença e compreensão que irão te aterrar, centrá-lo e te dar uma base sólida para viver a sua vida! Falar de uma maneira de ser capaz de receber efetivamente um feedback, lidar com críticas, ficar destemido diante da rejeição, e corajosamente se recuperar com resiliência quando você estiver sendo derrubado!

Esta solução é a solução da autoestima incondicional e está em contraste terrível com o problema de alta e baixa autoestima, que é a autoestima condicional. Agora que você sabe de tudo isso, você está pronto, como Meta-Coaches para liberar os valores inatos das pessoas? Se sim, vá em frente!

Escrito por Michael Hall, Ph. D. – Tradução: Rodrigo Santiago

Em Neurossemântica (assim como na PNL) uma das premissas que governam nossa área é a de que onde há problemas, a pessoa (ou pessoas) não são o problema; se há um problema, o enquadramento (ou a interpretação dos fatos) é o problema.

Isso é verdade porque por trás do que as pessoas fazem está o que elas pensam. E elas se sentirão e agirão de acordo com o que elas pensam (acreditam, entendem, assumem etc). Então, você nunca é o problema. O que você sente e faz não é nunca o problema. Sentir e fazer são sintomas dos seus significados. E é por isso que, se os significados nos governam desta forma, “Vencendo o Jogo Interior” (título em Português do livro “Winning The Inner Game”, em Inglês) não é somente um livro introdutório para este campo. Ele é o tema básico para como ganhar qualquer jogo que você estiver jogando – seja este o jogo do amor, dos negócios, da criação de riqueza, ou qualquer outro.

Tudo isto se mantém igualmente verdade para o Jogo do Governo.

Para nós criarmos um sistema de governo com regras e processos que irão permitir a todos nós ganharmos em grupo, nós precisamos primeiro ganhar o jogo interior do Governo. Na minha última publicação eu usei as perguntas do Meta-Modelo e escrevi sobre o que o governo é, quem é ele, para que ele serve, como ele funciona, etc. Naquela descrição, eu espero que tenha se tornado claro que quando nós falamos sobre “governo” e “política”, nós estamos falando sobre psicologia humana, ou seja, sobre como nós humanos funcionamos, operamos, interagimos e nos comunicamos uns com os outros. E todos estes sintomas são funções dos significados que nós trazemos às nossas experiências.

Então, o que nós assumimos sobre estes termos semanticamente carregados de governo, política, partidos, etc? Quais são os vários significados que nós mantemos sobre estes aspectos de governança?

Quais são os significados que criam os jogos que nós jogamos e aqueles que nós queremos jogar?

Um dos conjuntos de significados sobre seres humanos e governo cria uma história que é mais ou menos assim:

“Pessoas são egoístas, cheias de si e narcisistas. Sobrevivência e auto-proteção é sua preocupação primária. Elas são como animais ou pequenas crianças irresponsáveis, preguiçosas, centradas em si mesmas etc. Então você deve controlar tudo que elas fazem. Elas não irão gerenciar as coisas por elas próprias. Elas precisam de um governo forte e centralizado para tomar conta delas. O governo deve estar lá para prover todas as suas necessidades – segurança, dinheiro, emprego, casa, remédios, seguros etc.”

Existe um outro conjunto de significados sobre os seres humanos e governos que é muito diferente. Estes significados descrevem uma história completamente oposta, que é desse jeito:

“Pessoas iniciam suas vidas sem nenhum desenvolvimento e infantis. Elas crescem para se tornar disciplinadas, altamente talentosas e responsáveis. Elas se movem naturalmente da dependência completa para a independência, e daí para a inter-dependência, porque elas são seres sociais. Além disso, todas elas foram feitas para nutrir as virtudes mais altas e os mais refinados talentos e habilidades. Todas elas são dirigidas por uma motivação de se auto-realizar – para que se tornem as melhores pessoas que podem se tornar. Quando esta motivação é inibida, as pessoas são diminuídas.”

Estes paradigmas geram comportamentos muito diferentes, não é verdade?

No campo de negócios, Douglas McGregor tomou a mudança de paradigma de Maslow para o lado brilhante da natureza humana e articulou-o de acordo com o que agora é chamado Teoria X e Teoria Y da gerência e liderança. Nos campos de negócios e desenvolvimento organizacional, isto foi uma mudança radical. Isso levou pessoas de “Líderes Autoritários e Chefes” para “Líderes Facilitadores e Visionários”. Quando nós aplicamos essa Teoria X e Y em governo e política, isto nos convida ao mesmo tipo de mudança de paradigma – de um lado que acredita que nós precisamos de tanto governo quanto possível para outro lado onde…

Entendemos que precisamos de tão pouco governo quanto possível.

O antigo conjunto de significados via o governo como a “Organização que irá nos salvar de nós mesmos”. E por que precisamos disto? Porque nós não podemos fazer nada por nós mesmos: essa visão assume que pessoas são muito irresponsáveis, muito preguiçosas, muito indisciplinadas etc. Elas são como crianças. Então, alguém que sabe mais deve tomar conta delas. Agora, quem esse alguém deve ser? Ora, esse “alguém” é “O Governo”! Então, como crianças políticas, isso é na verdade um dos nossos direitos aos quais nós somos intitulados – nós temos o “direito de esperar que o governo proverá tudo para nós e tomará conta de nós como nossos parentes tomaram conta de nós antes”. É claro que isso faz o governo se tornar paternalista e controlador.

Através da História, essa foi a principal história da política.

Não é de se espantar que o conjunto oposto de significados sobre o governo é tão radical. É radicalmente positivo para os seres humanos, no sentido de que este novo conjunto vê pessoas através da psicologia positiva da auto-realização: pessoas querem se tornar independentes, responsáveis e disciplinadas para tornar real o que é um potencial dentro delas. Pessoas, quando saudáveis e em crescimento, são éticas, cuidadosas e colaborativas. Essa forma de ver o governo assume que o melhor governo é justamente a diminuição do governo e, de fato, ela dá a ele uma nova direção, visão e propósito: o Governo deve facilitar a auto-governança. O melhor governo governa de uma maneira que dá poder às pessoas para lidarem com as responsabilidades da cidadania. Ele assegura a liberdade das pessoas tal que elas possam agora aprender como usar a liberdade de falar, pensar, se encontrar, se unir etc. Assim, elas podem se tornar parte ativa e informada no ato de governar.

Michael Hall, Ph. D. – Tradução: Rodrigo Santiago

Na semana passada eu apresentei as Sete Verdades que nós Falamos Sobre Emoções. Em Neurossemântica, nós apresentamos isto quando nós trabalhamos com o Modelo de Mudança da Provação (Crucible Change Model), o padrão de Meta-Estados de Emoções Problemáticas, o treinamento de Maestria Emocional e vários outros treinamentos. Estas idéias também estão em livros numerosos, como o Liberte-se, The Crucible e Meta-States (os dois últimos em inglês, ainda sem tradução). Muitos sugeriram que eu apresentasse o material em artigos, então eu preparei uma série sobre isso.

Hoje, falar sobre emoções e trabalhar com elas tem se tornado muito mais aceitável e bem vindo, especialmente dado que um novo campo emergiu nas últimas duas décadas – Inteligência Emocional ou Q.E. Hoje, nós reconhecemos que liderança é emocional e requer inteliência emocional. Hoje nós sabemos que negócios são emocionais e que gerentes, atendimento ao cliente e até pesquisa e design requerem inteligência emocional, se uma companhia irá produzir produtos, serviços e informação que serve aos seus clientes.

Hoje também nós sabemos que há uma maneira de sentir significados em nosso sistema humano mente-corpo.

Qual é o sentimento do significado? Ele é uma emoção.

Quando você tem uma emoção, você está experienciando a sensação de um significado. E isso acontece em virtude do que uma emoção é e de como ela funciona.

Emoções – A Sensação de Significado

Se nós perguntarmos onde e como uma pessoa registra a sensação de seus significados, qual é a resposta? A resposta é que você e eu sentimos “significados” em nossas emoções. Isto se deve à primeira verdade sobre emoções. 

1) Emoções medem a diferença entre mapa e território. Elas são significados sentidos. 

Para ter uma emoção, você tem que ter um mapa inteno da compreensão de algo, da expectativa de algo. Deve acreditar que algo é de certa maneira e assim por diante. A partir daí, você deve passar por uma experiência no mundo onde você usa suas habilidades para agir de acordo com o seu mapa interno.

O que acontece então resulta em uma emoção.

Imagine uma balança que compara dois pesos. A balança que compara o que você pensa (mapa) e o que você experiencia (território) é uma emoção. Se a balança pesa a ponto de você não conseguir o que você quer, espera ou entende, então você experiencia emoções negativas: chateação, estresse, frustração, irritação, perturbação, medo, raiva, perda, desapontamento etc.

Se a balança pende tal que você começa a ter o que você quer, espera e compreende, você então experimenta emoções positivas: encanto, alegria, surpresa, contentamento, excitação, paixão, amor, empatia, compaixão etc.

Se a balança pende tal que você não tem o que quer, você sente sua experiência como se ela estivesse violando seu mapa. Sua ferramenta primária para navegar a realidade (seus modelos internos para compreender, conhecer, acreditar etc) é colocada em questão – e então é isso que “machuca”.

Quando nós dizemos que “aquela emoção ou sensação me machuca”, o sentimento não machuca. O que foi machucado foi o seu senso de realidade – devido a um mapa ter sido feito “errado” ou “inadequado”.

Daí as emoções negativas.

Neste caso, alguma coisa está errada com o nosso senso do mundo. E é este o porquê de nós não gostarmos disso. É por isso que uma emoção negativa registra dentro de nós que algo está errado com o mundo.

Então, como os freios de um carro, as emoções negativas inibem nossas respostas neurológicas e nos movem: “pare, olhe e ouça!”. Alguma coisa não está certa.

O que não está certo pode ser nosso mapa. O que não está certo podem ser nossas habilidades para lidar com a experiência. Então, nós podemos mudar nossas emoções através da atualização do nosso mapa ou da melhoria das nossas habilidades. E desta maniera nós podemos mudar a emoção.

Então, a definição Neurossemântica de uma emoção é esta: uma emoção é a diferença entre o mapa mental do mundo na mente de alguém e a experiência desta pessoa no mundo (no território).

2) Emoções são importantes como sinais de informações

Dado que emoções indicam como nossos mapas estão operando no território, emoções nos dão “sinais” ou “informação” sobre como nós estamos indo.

As coisas estão indo bem de acordo com nossas idéias, entendimentos, crenças, intenções etc? Ou as coisas não estão indo tão bem? Emoções positivas indicam a primeira coisa, emoções negativas indicam a segunda.

Mas este sistema é relativo.

Ele é relativo à precisão e adequação dos nossos mapas mentais. Se nosso mapa mental de compreensão e crença estiver inadequado, nossas emoções não irão registrar isto. Elas irão somente registrar se nossas ações no mundo estão ou não realizando nossas esperanças e sonhos.

Isto explica porque e como emoções podem ser falsas, errôneas e completamente sem base. Se você espera e acredita que nunca vá cometer um erro, falhar ou ser embaraçado e então algo desse tipo acontece, então as emoções que você irá sentir irão somente dizer que você não está preenchendo seu mapa mental. Elas nunca vão dizer que, antes de tudo, você tem um mapa incorreto.

L. Michael Hall, Ph. D. – Tradução: Rodrigo Santiago

Se você viu o filme “O Segredo” ou leu o livro de mesmo título, então você ouviu falar da tal “lei da atração”, e o poder dos pensamentos serem magnéticos, metas sendo mágicas e o destino da vida estar totalmente sob o seu controle. Tudo isso soa bastante promissor, certo? No entanto, quão precisas e quão realistas são estas coisas? O que você acha? Será que há qualquer promessa exagerada? Qualquer promessa absurda que a vida deixará de cumprir mais tarde? Se você tem uma mente aberta e está disponível para explorar coisas, então venha conosco.

Forças de “O Segredo”

Para começar, nós queremos mencionar as forças óbvias do filme em si. Em termos de produção e qualidade, O Segredo é um filme muito bem feito, especialmente no desenvolvimento de uma idéia conceitual. Ele é envolvente, comovente, fascinante e emocional. Ele não é apenas uma palestra, mas uma apresentação dramática, com imagens que pulam, se movem e dançam, e prendem sua atenção como observador e ouvinte. Então, do ponto de vista de envolvimento em uma peça de mídia , ele é muito bem feito.

E do ponto de vista do conteúdo, há muitos bons pontos no filme. O que nós mais apreciamos é a inspiração oferecida para que o expectador assuma a responsabilidade pela própria vida, desistindo da idéia de ser uma vítima e usando seus poderes de resposta para se tornar cada vez mais responsável. Também há uma ênfase forte em abundância – de que existem recursos e ativos disponíveis, e de que nós precisamos desenvolver a habilidade de reconhecê-los e ativá-los. O mundo não é um lugar de escassez e falta, mas verdadeiramente um de abundância.

Também há uma boa ênfase em assumir uma atitude positiva com as coisas – pensar positivamente, acreditar no melhor, apreciar e honrar o que é bom e positivo. E há alguns passos em vários lugares no filme sobre o que fazer para se envolver e tomar algumas atitudes na vida. Vários dos palestrantes reconhecem a importância de começar de algum lugar, fazendo alguma coisa e deixar que cada pequeno passo conte.

Fraquezas em “O Segredo”

Em termos de universalidade, o filme é recheado com frases de que…

“…Tudo o que você experiencia em sua vida, você atraiu para a sua vida pelos seus pensamentos.”
“Isso sempre funciona, cem por cento do tempo, com todas as pessoas.”
“Aquilo sobre o que você coloca seu foco é o que você está criando, você está trazendo isto para a sua vida. Sem exceções.”

Ah, se a vida fosse tão simples! Como se uma simples frase pudesse sumarizar e explicar adequadamente a realidade. Só que a vida não é tão simples. Existem muitos outros fatores, variáveis e condições que também precisam ser consideradas. Se você estiver atraindo tudo para sua vida, então não existe a influência de outros, da sociedade, da natureza, da realidade política, da realidade econômica, etc. De fato, se tudo estivesse lá somente porque você pensou, então nós acabamos de descobrir Deus; você é Deus. Mas, é claro, a verdade é que você não é tão importante ou poderoso. Você não é Deus, mas apenas um ser humano falho.

O outro padrão de pensamento infantil está no padrão “isso-ou-aquilo”. E novamente, o filme está recheado com eles. Ele fala sobre emoções de uma maneira chocante – que há “boas” emoções e que há “más” emoções. E o que as “más” emoções significam é uma coisa, e uma coisa, somente: que você está fora de alinhamento com você mesmo. “Quanto melhor você se sentir, mais alinhado você estará”. É simples assim. Então a meta se torna não experienciar emoções negativas. Ou você está alinhado com você mesmo e tem bons sentimentos, ou você está fora de alinhamento consigo e tem sentimentos negativos.

Isso vai contra tudo que nós estivemos aprendendo por anos nas pesquisas sobre Inteligência Emocional e como emoções – tanto as negativas quanto as positivas – trabalham efetivamente e produtivamente dentro de nós. Uma emoção não ser prazerosa ou “negativa” não faz dela “má”. Ela fornece informações significativas e importantes a respeito do relacionamento entre o que nós mapeamos nas nossas mentes sobre a vida e o que nós experimentamos no território. Mas O Segredo quer que você acredite que as emoções negativas devam ser evitadas ou ignoradas. Na psicologia, tal negação, repressão etc são mecanismos de defesa de um frágil senso de si próprio, e não uma expressão saudável de uma humanidade completa.

“O jeito que você se sente é tudo”, assegura O Segredo. Então, somente as “boas” emoções contam. De alguma forma as más emoções são más e devem ser ignoradas e evitadas. Se você colocar seu foco nelas, você as faz crescer, e isso é ruim.

Os Segredos Faltando em “O Segredo”

Então, apesar de haver algumas coisas boas no filme, O Segredo se perde e deixa de fora muitas facetas do verdadeiro segredo da vida. Que segredos estão faltando em O Segredo?

1) O Segredo Que A Vida Está Cheia de Sistemas

A vida é complexa porque envolve sistemas e sistemas-dentro-de-sistemas. Em um mundo infantil, há somente escolhas simples entre duas coisas: “isso-ou-aquilo”. Não há complexidade. E não há sistemas. Ainda assim, sistemas – como o sistema mente-corpo-emoção – criam tal complexidade que nós temos que pensar em múltiplas variáveis. Estas múltiplas variáveis operam ao mesmo tempo e, portanto, influenciam umas às outras de múltiplas maneiras.

Para pensar de maneira mais sistêmica, nós precisamos manter muitas variáveis em nossa mente ao mesmo tempo. E nós temos que transcender o pensamento isto-OU-aquilo e crescer até o pensamento “isto-E-aquilo”. Isso significa estar apto a abraçar a ambiguidade e incerteza tal que nós não estejamos impulsionados por respostas simplistas demais. Para adultos no mundo real, há pouquíssimas coisas que “sempre” trabalham de uma maneira específica. Quase sempre há exceções às regras. Sempre há outros fatores influenciadores, causas contribuidoras e contextos diferenciadores.

Sim, nós podemos atrair coisas nas nossas vidas pelos nossos pensamentos, emoções, comportamentos etc. Mas outras pessoas também podem. Toda nossa vida infantil, do nascimento até os doze anos ou mais, são em maior parte criada não pelos nossos pensamentos e intenções, mas por nossos pais, cuidadores, ancestrais, cultura, geografia… Uma criança nascida com câncer em seu corpo não atraiu aquilo para sua vida! E o que dizer sobre as seis milhões de pessoas massacradas por Hitler? Será que elas atraíram aquilo para suas próprias vidas? Foi isso que deu poder a Hitler para tomar um governo e um país? Não acredite nisso em momento algum.

Há restrições em todas aquelas dimensões com as quais nós não temos nada a ver. Nós não criamos o mundo. Nós nascemos nos mundos social, cultural, político e econômico em que vivemos agora. Nossa responsabilidade é primeiro mapear estes territórios para que nós possamos entender aquilo com o que temos que lidar e então nós temos que desenvolver conhecimentos e habilidades suficientes para conviver com tais mundos.

2) O Segredo dos Níveis de Consciência

O mundo seria maravilhosamente simples se nós tivéssemos somente um nível de pensamento, tal que nós pudéssemos pensar em uma coisa de cada vez.  Mas isso simplesmente não é o tipo de cérebro que nós temos. Nós temos consciência auto-reflexiva, que nos habilita a pensar sobre nosso pensamento. Nós podemos ter sentimentos sobre nossos sentimentos. E depois de nosso segundo pensamento ou sentimento sobre o primeiro, nós podemos ter um terceiro, e um quarto. Esse processo sem fim é o que nós exploramos nos Meta-Estados.

Consciência auto-reflexiva significa que nós temos camadas sobre camadas de pensamentos, sentimentos, consciências, crenças, decisões, compreensões e por aí vai. E novamente, isso produz complexidade no sistema mente-corpo. E porque os níveis superiores governam e modulam os níveis inferiores, isso explica por que o poder pessoal da congruência e integridade também requerem um alinhamento dos níveis.

Isso significa que nós podemos sentir diferentes emoções, boas e más em diferentes níveis. É por isso que é possível para alguém se sentir “bem” sobre o fato de estar deprimido se essa pessoa consegue atenção e simpatia. Ou porque alguém pode se sentir “mal” sobre ser “arrogante” e “egoísta”, e isso pode ser uma boa coisa. Uma pessoa pode se sentir “bem” sobre se sentir superior ao colocar alguém pra baixo e ainda assim aquilo pode ser uma coisa ruim para sua personalidade e seus relacionamentos. A categoria “isso-ou-aquilo” de emoções “boas” e “más” é, de longe, muito simplista para a vida adulta no mundo real.

3) O Segredo de Pensar e Raciocinar
em Diferentes Níveis

Aqui está um outro segredo da vida humana: nós pensamos e raciocinamos e viemos a entender e mapear coisas em diferentes níveis. Em um nível nós usamos a ciência clássica para descobrir coisas, Descobrimos a física Newtoniana ou a física Quântica, de Einstein. Mas mesmo Einstein teve que levar seu carro até  alguém que soubesse a física de Newton sobre massa, volume e velocidade de uma macro-máquina, como um carro. Um fisicista quântico não poderia ajudar Einstein, nem você, nos problemas do seu carro. O pensamento e o entendimento dele não se aplica à dimensão dos automóveis.

Descrição e metáfora são dois níveis muito diferentes de realidade. Então, a metáfora no filme e no livro é aquela da atração magnética. Em “O Segredo”, eles dizem, “pensamentos são magnéticos”. Bem… Sim, metaforicamente. Mas NÃO, não empiricamente. E essa confusão de níveis leva a frases sem sentido e ignorantes como as seguintes – frases afirmadas sem qualquer evidência (essa citação vem do livro):

“A lei da atração dá a você simplesmente qualquer coisa sobre a qual você estiver pensando.” (p. 13)
“Fisicistas quânticos nos dizem que o universo inteiro emergiu do pensamento!” (p. 15)
“Nada pode chegar em sua experiência, a não ser que você invoque através do pensamento persistente.” (p. 28)

Estas explicações simplistas demais criam, na verdade, vários vírus de pensamento tóxicos. A última frase implica que não há outros fatores, nenhuma outra variável no mundo exceto o pensamento – o que é, claro, gritantemente falso. A primeira frase é indistinguível do estágio de pensamento mágico de desenvolvimento cognitivo que ocorre em crianças de 3 a 5 anos de idade, novamente implicando que pensamento é o único fator criativo e que não há restrições de realidade para interferir. Ah, se isso fosse verdade!

E a segunda frase não tem qualquer documentação a respeito. Eu nunca li um livro legítimo sobre o assunto que tenha chegado sequer perto de afirmar qualquer coisa sobre como aquela. Sim, o fator de indeterminância significa que nós tendemos a observar o que nossas pressuposições e premissas nos prepara para observar, já que o observador influencia o campo de observação. Mas isso está muito longe de dizer que o universo emerge do pensamento!

Há muitos perigos em tudo isso. Exagero, confusão de níveis, falhar em referenciar afirmações, falhar em incluir os outros fatores contribintes etc. Tudo isso deixa a impressão de que as pessoas são “deuses”, ou ao menos seres quase todo-poderosos em criar a realidade. Não somos assim. Onde está nossa capacidade de falhar em tudo isso? Onde está a mortalidade? Onde está a realidade social? Onde estão as restrições da realidade?

Então, para melhorar tudo isso, a verdade é mais balanceada. Nós criamos, sim, idéias e significados e o mantemos em mente. Nós enviamos mensagens e comandos para nossa neurologia para tentar realizá-las em nossos corpos. “Tentar” fazê-las reais, no entanto, é uma coisa muito diferente de afirmar que o pensamento absolutamente cria sua realidade. Se fosse assim, as pessoas nas salas dos hospitais psiquiátricos seriam algumas das pessoas mais poderosas no planeta ao invés de viverem vidas tristes e patéticas.

Sim, pensar, sentir, acreditar e intencionar criam e ajustam fatores auto-organizados de “atração” ou atrações dentro de nós, mas isso é mais uma maneira de falar sobre a relação entre mente-cérebro, nos processos de comunicação reflexiva dentro de nós, e qualquer um minimamente educado sobre essa área reconhece tal coisa.

4) O Segredo da Distinção Entre
Mapa e Território

O termo “realidade” não é um termo monolítico referente a uma coisa singular. O que é real depende da dimensão à qual nós estamos nos referindo. As duas dimensões primárias estão dentro do nosso sistema nervoso cerebral (realidade interna) e “lá fora” além de todas as nossas interpretações, entendimentos, processamentos de informação e comunicação sobre isso (realidade exterior).

Falhar em fazer essa distinção crítica confunde mapa e território. Algumas pessoas que confundem as duas são as fanáticas. Para um fanático, o seu mapa é o único e verdadeiro mapa. Ele é real. É o território, e que a ira recaia sobre a pessoa que o questiona! Eric Hoffer chamou este tipo de pessoa um “verdadeiro crente”. Para o fanático, o propósito primário na vida é impor os mapas sobre os outros, e até mesmo sobre o mundo.

Há outras pessoas que confundem mapa e território. Um grupo faz isso assumindo que o que quer que eles mapeiem é real ou será real. Isso é uma ilusão. A ilusão é que eles têm esse tipo de poder nos seus mapeamentos e que a única coisa possível que pode estar errada na vida, no mundo, é que eles não estão mapeando o suficiente – acreditando o suficiente, imaginando o suficiente, intencionando o suficiente etc.

O problema nisto é que eles acham que podem mapear qualquer coisa, e que qualquer coisa que eles pensem, eles podem realizar. Esse entendimento simplista demais da realidade esquece que nós estamos mapeando um território, e que o território deve ser levado em conta no mapeamento. É aquela velha coisa de pegar um mapa de Londres e tentar navegar qualquer outra cidade do planeta. Não vai funcionar! Claro, há algumas poucas estradas com o mesmo nome, talvez um rio ou uma montanha similar, mas para a maior parte aquele mapa não foi desenhado para nenhum outro território além de Londres.

Eu vou deixar você aqui com um segredo significativo para o sucesso: mapeamentos não criam a realidade externa. Ao mapear, nós criamos algumas das nossas realidades internas – nossa realidade subjetiva, tal que nós invocamos crenças, identidades, esperanças, sonhos, intenções etc para que surjam. E como nosso mapeamento interage com as restrições do nosso corpo, nosso contexto, nossa mente, nosso sistema nervoso etc, nós somos aptos a fazer uso das nossas predisposições, talentos e potenciais e criamos uma coisa nova a partir de todos estes componentes.

5) O Segredo de Distinguir Níveis

No livro “O Segredo”, de Rhonda Byrne (2006) ela cita John Assaraf que diz, “um pensamento tem uma frequencia, nós podemos medir um pensamento” (p. 9). Essa mesma falta de sentido está também no filme. Bem, isso é provavelmente uma coisa sexy de se dizer, mas isso não é assim. O autor confundiu níveis.

Um “pensamento” existe em um macro-nível da nossa experiência fenomenológica. O que ocorre no nível do processamento cerebral é uma troca química (neuro-transmissores, peptídeos etc) e a carga de prótons e elétrons como um bio-impulso se move ao longo dos caminhos neurais e os íons são trocados nas células. Nós podemos ver e medir e de alguma forma compreender estes mecanismos, mas estes não são “pensamentos” ou “emoções” – estes termos não se aplicam naquele nível. Eles se aplicam em um nível muito mais de macro-fenômeno.

Todos estes processos bio-elétricos e bio-químicos são as sub-camadas que compõem uma gestalt que nós chamamos “pensamentos” ou consciência. “Pensamento”, por si só, não tem frequência. O funcionamento do cérebro como um todo tem frequências – essa é uma função do cérebro. Dentro daquelas operações do cérebro, nós experimentamos o que nós chamamos “pensamentos”. Aparentemente, o autor Assaraf também esqueceu que a idéia de “frequência” aplicada ao pensamento é uma metáfora – uma metáfora!

- Não uma descrição empírica.

6) O Segredo de Negar Efetivamente

Parte do pensamento simplista em demasia e “isso-ou-aquilo” apresentados no filme sugere que não há maneiras de negar um pensamento, memória, emoção etc. A idéia simplista foi: não conceda nenhum pensamento ou energia ao que você não quer, somente ao que você quer. Porém a consciência humana é desenhada tal que nós podemos pensar no que nós não queremos, não acreditamos e não valorizamos. Será que nós temos então que fingir que isto não é parte do nosso tipo de consciência? Será que nós temos que ignorar, ou pior, será que temos que enquadrar esta faceta da percepção humana (negação) como “má”?

Aqueles em “O Segredo” dizem, “você não pode dizer não e fazê-lo ir embora”. Você não pode ser anti-drogas, anti-guerra, anti-terrorismo. “Sempre seja pró-coisas, nunca contra”.

Ah, se a vida fosse tão simples e simplista! Agora, é verdade que, a respeito do “comando de negação”, se você comandar, nós temos que primeiro representar para então negar algo. É por isso que, nos níveis mais simples, “não pense em azul”, “não imagine um macaco no meu ombro”, nos convida a criar imagens das exatas coisas nós queremos evitar!

Porém, este é somente um tipo de negação. Em Sub-Modalities Going Meta (1999/2006), eu escrevi um capítulo inteiro com 8 tipos de negações e apresentei os muitos tipos de negação que nos habilitam a efetivamente negar coisas das nossas vidas e nossas mentes. No fim das contas, será que não há alguma coisa que ainda possa ser “processada” ou “deixada dentro” de sua consciência para ser considerada? Eu aposto que há. Se alguém dissesse “você é um marciano e tem uma pele vermelha”, será que você daria àquilo qualquer entrada, qualquer consideração, qualquer energia? Eu não daria. Isso não se processa. Eu nego isto e caminho para longe disso, enquadrando como irrelevante ou sem sentido. Isso faz com que essa frase vá embora.

Ou o que dizer da sua habilidade de ter sua cabeça tão “feita” tal que você possa firmemente se recusar a aceitar alguma coisa? Você tem essa habilidade? Você consegue ser firme? Você consegue ser obstinadamente firme? Pense sobre algo que você firmemente recuse. Isso é um estado bastante poderoso, não é? Você pode agora usar esse estado para recusar, para negar alguma coisa. “Sacrifício infantil como oferta em chamas”. Quando eu penso sobre isso, meus limites mentais e emocionais emergem tal que eu não consideraria sacrifício infantil nem por um segundo. Meus valores são fortes o suficiente sobre a preciosidade da vida que eles imediatamente negam aquela idéia. De fato, quanto mais eu penso sobre isso, mais meus valores, compreensões, entendimentos e crenças crescem para negar isto.

Sumário

Nós estamos deliciados com o fato de “O Segredo” ter começado mil ou dez mil novas conversas ao redor do mundo a respeito dos poderes não utilizados dos seres humanos. Isso é bom. Mas “O Segredo” não é “o segredo”. Ele é somente o início da compreensão da natureza humana e da psicologia, e há muitos, muitos segredos não revelados ou expostos em O Segredo. Nesse ponto, o filme vende demais a si mesmo, promete demais e alimenta perigosamente expectativas que os eventos da vida podem esmagar, deixando a pessoa queimada e imunizada contra sua verdadeira auto-realização e empoderamento pessoal. Esse é o problema de simplificação em demasia.

Nós escrevemos Os Segredos Que Faltaram em O Segredo tal que as conversas que as pessoas têm a respeito do assunto possam ser mais orientados à realidade, mais saudáveis e balanceados, e possa convidar pessoas a usar os poderes inatos para liberar mais e mais dos seus potenciais e realização de sonhos.

Autor:

L. Michael Hall, Ph.D. é um psicólogo cognitivo que gastou os últimos 13 anos engajado com vários projetos de modelagem, de criação de riqueza à liderança, coaching e agora, auto-realização. Michael é um autor de best-sellers no campo da PNL e o fundador da Neurossemântica.

Tradutor:

Rodrigo Santiago é um life coach com mais de 12 anos de experiência em projetos de arquitetura e modelagem de sistemas de informação para grandes empresas. Rodrigo é co-fundador do Movimento Espalhe o Amor, com um alcance de mais de um milhão de participantes nas mídias sociais em língua Portuguesa.

Referências:

1. No filme O Segredo os apresentadores principais são Bob Proctor, Bob Doyle, Joe Vitale, Michael Beckwith, Jack Canfield, David Schirmer, John Assaraf, James Arthur Ray, Esther Hicks, John Gray, John DeMartini, Lee Browner, Dennis Watley, Mike Dooley, Marci Shirmoff Mira, Marie Diamond, Lisa Nichols e alguns outros.